Resenhas, artigos e contos

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Resenha: O Espetacular Homem-Aranha 2 - A Ameaça de Electro



Não sou leitor dos quadrinhos do Cabeça de Teia e, portanto, não posso avaliar o filme como adaptação fiel ao universo do super-herói. Toda a minha bagagem se resume aos games e às animações, além da trilogia de Sam Raimi. Aliás, parece ser inevitável comparar o reboot da franquia com a antiga adaptação, e a maioria opta pela trilogia passada; acho que não pela qualidade, mas porque as pessoas tendem a valorizar muito o que é antigo em detrimento das inovações e também porque não se passou tempo suficiente para nublar de nossa mente a imagem do outro Homem-Aranha. Minha opinião: prefiro o The Amazing Spiderman. Por quê? Porque Andrew Garfield é um Peter Parker melhor que Tobey Maguire, mais extrovertido, nada deprimido, e muito mais engraçado. E Emma Stone como Gwen Stacy é uma mocinha melhor que Mary Jane, que encarnava perfeitamente o arquétipo da donzela em perigo que precisa ser salva e nunca faz droga nenhuma para ajudar o herói. Só por esses dois motivos.

Mas deixemos de lado as comparações. Vamos falar sobre o filme. Particularmente, eu tinha uma boa expectativa para A Ameaça de Electro, após um primeiro filme mediano e sem muito a acrescentar ao que já sabemos. A curiosidade agora era saber que rumo a história iria tomar. Como esperado, a trama por trás dos segredos dos pais de Peter foi retomada e aparentemente finalizada. Contudo, foi justamente essa trama a responsável por diminuir o ritmo da narrativa, numa vã tentativa de intensificar um mistério que não teve um impacto tão grande quando foi revelado. Outro rescaldo do último filme foi a promessa de Peter feita ao pai da Gwen, e a relação conflituosa do casal (que possui uma ótima química) é explorada continuamente ao longo da história, sendo muito relevante para o desfecho entre eles. 

Sobre o vilão principal, Electro, seu visual não era muito parecido com o que eu tinha em mente. Seu nascimento, diferente do Lagarto, foi acidental, e, como personagem, teve uma construção convincente. Era apenas um funcionário da Oscorp, sem amigos ou parentes, invisível na sociedade, que passou a ser notado por todos quando se transformou em Electro. A melhor cena que caracteriza a transição do personagem que ainda procurava compreender os seus poderes para vilão foi durante seu primeiro embate com o Homem-Aranha, na cidade, onde os televisores dos prédios mostraram Electro no início de sua aparição, mas que depois teve sua imagem substituída quando o Homem-Aranha salvou alguns civis. 

Outro vilão que deu as caras foi o Duende Verde, não o pai, e sim o filho. Pois é, não demoraram três filmes para Harry Osborn abraçar o darkside. Desta vez, Harry e Peter eram amigos de infância, mas foram separados depois que Norman colocou o filho num colégio interno. Há aquela amizade saudosa entre os dois após se reencontrarem, uma relação não muito intensa ao ponto de impedir o nascimento do Duende Verde e suas ações.



As cenas de ação são um verdadeiro deleite, com efeitos especiais capazes de te deixar bem elétrico. Algumas cenas se preocuparam em dar ao espectador uma visão mais detalhada do sentido aranha, provocando uma imersão maior no ponto de vista do super-herói. A trilha sonora que acompanha a ação, embora alguns tenham desgostado, arranjou-se muito bem, principalmente em relação ao Electro. 

Apesar dos elogios, o roteiro deixa a desejar, a composição de algumas cenas parece forçar suas sequelas, dando a impressão de que as coisas precisam sair daquele jeito porque tem que sair daquela maneira para a história poder caminhar. A melhor parte do filme e aquela que consegue compensar esses deslizes na narrativa são os seus minutos finais, desde a última batalha contra o Electro, passando pelo atrito com o Duende Verde, até a aparição de um Rino com foguetes e metralhadoras, e ainda fomenta uma boa expectativa para o próximo The Amazing Spiderman

p.s: J.J Jameson consegue fazer o público rir sem nem aparecer. Duvido que encontrem algum outro autor senão o J.K.Simmons

Nota: 4/5