Resenhas, artigos e contos

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Resenha: A Culpa é das Estrelas, de John Green

Editora: Intrínseca
Autor: John Green
Ano: 2012
Skoob
Onde comprar: Saraiva
Sinopse: A culpa é das estrelas narra o romance de dois adolescentes que se conhecem (e se apaixonam) em um Grupo de Apoio para Crianças com Câncer: Hazel, uma jovem de dezesseis anos que sobrevive graças a uma droga revolucionária que detém a metástase em seus pulmões, e Augustus Waters, de dezessete, ex-jogador de basquete que perdeu a perna para o osteosarcoma. Como Hazel, Gus é inteligente, tem ótimo senso de humor e gosta de brincar com os clichês do mundo do câncer - a principal arma dos dois para enfrentar a doença que lentamente drena a vida das pessoas.



John Green é um autor expoente da chamada sicklit, gênero caracterizado pelo romance de adolescentes que estão prestes a serem vitimados por uma doença mortal. Assim como as histórias de vampiros, anjos, distopias e chick-lit, é também uma onda literária com grande força no mercado, sendo o público jovem seus principais leitores.

A Culpa é das Estrelas é um dos livros mais famosos do escritor e ganhará uma adaptação cinematográfica a ser lançada este ano. Nunca me aventurei pelas páginas enfermas do gênero, por isso resolvi dar uma chance a essa obra tão comentada de John Green, a fim de conferir se realmente cumpre a proposta de ir além do entretenimento e impactar o leitor com seus personagens, que tão próximos da morte, possam suscitar alguma reflexão acerca da vida e do ser humano.

Durante a leitura, relevei o público alvo do livro e não exigi muito da escrita, porém, logo no início, A Culpa é das Estrelas simplesmente apresentou o casal cujo início de relacionamento foi um dos mais forçados que já vi. Hazel Grace, protagonista e narradora do livro, uma jovem de apenas 16 anos, doente de câncer, frequenta um grupo de apoio para doentes. Certo dia, um garoto de 17 anos, Augustus Waters, com a perna amputada, aparece como novo integrante do grupo e repara intensamente em Hazel. Os dois conversam, o que é algo razoável naquela situação, mas daí, logo em seguida, ela parte para a casa de Augustus (ainda só um garoto desconhecido), no carro dele, e ainda com a permissão da mãe dela? Um pouco inverossímil, enaltecido mais ainda pela forma como foi narrado, com diálogos proferidos como se fossem duas pessoas quase íntimas e que já se conhecessem há muito tempo.

Apesar disso, os próprios diálogos entre Hazel e Augustus constituem as melhores partes do livro, apesar do excesso de falas (algumas desnecessárias) tornar a narrativa carente de descrições e, consequentemente, numa leitura tediosa. Pode-se dizer que ambos são adolescentes “estranhos” para a idade deles, sustentam uma conversa descontraída, sobre assuntos variados e cultos, fazendo referências que o leitor precisará de alguma bagagem cultural (e literária), como a célebre frase “Ceci n’est pas une pipe (Isto não é um cachimbo)”, para identificá-las. Na verdade, nem todas as referências são usadas dentro de um contexto plausível, mas relevantes para caracterizar as reflexões da narradora (Hazel), que possui momentos de narração bem interessantes; um deles está na contra-capa do livro, e se sai melhor que uma sinopse:
Não sou formada em matemática, mas sei de uma coisa: existe uma quantidade infinita de números entre 0 e 1. Tem o 0,1 e o 0,12 e o 0,112 e uma infinidade de outros. Obviamente, existe um conjunto ainda maior entre o 0 e o 2, ou entre o 0 e o 1 milhão. Alguns infinitos são maiores que outros… Há dias, muitos deles, em que fico zangada com o tamanho do meu conjunto ilimitado. Eu queria mais números do que provavelmente vou ter.…
Mas nem Hazel e Augustus chamam tanta atenção quanto Peter van Houten; ele é o autor do livro preferido de Hazel, Uma Aflição imperial, e responsável pelos diálogos mais inquietantes da história, além de ser o fio condutor da trama. O maior desejo de Hazel antes de morrer é se encontrar com Peter (que lhe custará uma viagem a outro país) e perguntá-lo sobre o final de seu livro predileto, pois este termina sem revelar o desfecho dos personagens. Enquanto não se encontram, com a ajuda de Augustus Waters, Hazel se comunica com Peter através de emails. Contudo, a trama não parece se desenvolver de maneira consistente após sua segunda metade, como se a história não soubesse que caminho tomar. Curiosamente, A Culpa é das Estrelas possui semelhanças com o tão discutido final do livro de Peter van Houten, o que pode deixar o leitor tão apreensivo quanto Hazel se sentiu ao terminar ler Uma Aflição Imperial.

O filme que irá estrear nos cinemas em junho deste ano aparenta ser bastante fiel ao livro, e como a narrativa tem suas carências, o audiovisual poderá ser um experiência completamente diferente, visto que a força de A Culpa é das Estrelas está em seus diálogos que serão bem apresentados no longa. Confira o trailer: