Resenhas, artigos e contos

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[Resenha - Esperança, de Suzane Collins] Tinha a esperança de que fosse o melhor

Editora: Rocco
Autor: Suzane Collins
Tradutor: Alexandre D'Elia
Ano: 2011
Páginas: 424
Skoob
Onde comprar? Saraiva / Travessa
Sinopse: Depois de sobreviver duas vezes à crueldade de uma arena projetada para destruí-la, Katniss acreditava que não precisaria mais lutar. Mas as regras do jogo mudaram: com a chegada dos rebeldes do lendário Distrito 13, enfim é possível organizar uma resistência. Começou a revolução. A coragem de Katniss nos jogos fez nascer a esperança em um país disposto a fazer de tudo para se livrar da opressão. E agora, contra a própria vontade, ela precisa assumir seu lugar como símbolo da causa rebelde. Ela precisa virar o Tordo. O sucesso da revolução dependerá de Katniss aceitar ou não essa responsabilidade. Será que vale a pena colocar sua família em risco novamente? Será que as vidas de Peeta e Gale serão os tributos exigidos nessa nova guerra?


 Resenha

O último episódio da trilogia mais bem sucedida atualmente no mercado literário, por muito pouco, não desabou antes de sua conclusão. A Esperança era um romance que detinha todos os atributos positivos alcançados pelos seus antecessores, Jogos Vorazes e Em Chamas, mas não conseguiu aproveitá-los de maneira adequada, resultando em um enredo fragmentado, sem ritmo, e sustentado por alguns poucas cenas relevantes. Por que será que esse último volume derrapou?

Antes de tudo, a ausência dos Jogos Vorazes, evento característico dos dois primeiros volumes, substituído pelo teor de uma verdadeira guerra modificou totalmente a apresentação da história, quase alterando-a por completo a ponto do leitor não reconhecer um livro de Hunger Games. Obviamente, a trama necessitou de uma abrangência maior do universo de Panem, e não havia como encaixar um terceiro Jogos Vorazes ao longo da história. Apenas isso já é o suficiente para quebrar com a estrutura recorrente da série e apostar em um desenvolvimento diferente.

Katniss agora precisa lutar nos levantes dos distritos para mostrar a Capital o quanto o símbolo do Tordo é poderoso. A guerra entre os distritos e a Capital é a nova Arena de A Esperança. Esse é um dos contrastes entre este último volume e os dois primeiros. A narração da protagonista parece um pouco inadequada para os instantes bélicos (ressalvo em alguns cenas); uma infinidade de detalhes que não são narrados com precisão. Os momentos de uma guerra são mais intensos que os de um embate na Arena onde o foco da narradora é mais concentrada, o que dá ao leitor uma imersão maior na cena.

Mas a principal falha desse livro talvez seja o seu desenvolvimento. As cenas não parecem ter muita importância para o avanço do enredo, não há um elo forte entre elas; aparentam ter sido criadas a esmo somente para forçar a história a rumar para o arco final. O tamanho da história também consideravelmente maior que a dos volumes anteriores. Apesar disso, o livro conta com alguns bons momentos que instigam o leitor. Somente nas últimas páginas é que a história apresenta uma cadência melhor e retoma o fôlego marcante dos outros títulos.

Esperança quase recebe a alcunha de livro ruim, mas, no geral, acaba convencendo. É uma sensação semelhante a ver um Matrix Revolutions esperando um Matrix. A adaptação cinematográfica da última parte da trilogia provavelmente será dividida em duas partes (virou moda agora isso), o que, nesse caso, é uma boa aposta para não comprometer o enredo: há muitas cenas de ação que poderão tomar um bom tempo nos filmes. Possivelmente, ao contrário do que se imagina, os filmes de Hunger Games poderão ser melhores que os livros. 

Confiram o segundo trailer do filme Em Chamas


2 comentários

Autor
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Hmm, não tive a mesma impressão que você. Achei que a história foi muito mais séria aqui, porque havia uma guerra acontecendo. Não cabia mais uma edição dos Jogos porque não tinha mais a Capital controlando todo mundo como nos dois primeiros volumes. Panem mudou, e o livro mudou com isso.

No mais, fico feliz que tenha apreciado o final. Ele é meio... bittersweet, mas não poderia ter sido diferente, com risco de cair no clichê.

Abraços!

Raquel
www.pipocamusical.com.br

Balas
Autor
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Sim, Raquel, não havia espaço para mais uma edição dos Jogos Vorazes pela razão que você falou. Logo, o livro realmente ficaria diferente dos dois primeiros. Acontece que não consegui enxergar um bom desenvolvimento como ocorria antes na série. Eu só curti o começo do livro e as últimas 100 páginas mais ou menos. Mas, apesar desse não ter me agradado, valeu a pena a leitura da trilogia. Eu recomendaria a qualquer um que apreciasse o gênero.(Eu tomei um maldito spoiler do final antes de começar o livro, então isso me atrapalhou um pouco, rsrs)

Minha expectativa é de que os filmes (começando por Em Chamas) abordem muitas questões do livro de forma mais instigante.

Abraços.

Balas