Resenhas, artigos e contos

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[Resenha - Anime] Naruto: Road to Ninja

Sei que ainda estou devendo o início de uma série de artigos sobre esse mangá/ anime do qual sou fã inveterado desde os 17 anos, mas, enquanto o tempo e a disposição não permitem que eu componha esses textos, para o Sasuke do layoult do blog não ficar deslocado (embora ainda falte falar de Harry Potter por aqui), pincelarei minhas impressões a respeito do último (e espero que realmente seja o último) longa de animação de Naruto

Diferente dos filmes anteriores, Road to Ninja foi roteirizado pelo próprio Masashi Kishimoto, autor do mangá, o que já dá ao filme um diferencial importantíssimo. Os longas de animação, na verdade, não passam de fillers (histórias à parte da trama original), e para leitores e espectadores da série, tanto faz assisti-los ou não. Mas no caso de Road to Ninja, embora sua história realmente não altere a trama original, temos uma visão mais explorada de alguns elementos que não poderiam ser reproduzidos na série principal.

E nada melhor do que explorar o protagonista numa obra cujo título é o nome dele. Naruto é um personagem órfão e que tem o sonho de ser tornar Hokage para, enfim, ser reconhecido pelos habitantes da sua vila. A temática inicial da série, centrada no personagem, sempre foi a solidão, o sofrimento do protagonista para ser notado no meio em que está inserido. No decorrer da série, Naruto foi conseguindo o reconhecimento das outras pessoas (embora ainda não tenha se tornado Hokage) e já se tornou um heroi da vila de Konoha. Contudo, mesmo após tantas conquistas, ele não esquece o quanto aqueles tempos de solidão, sem a presença de seus pais que se sacrificaram para salvá-lo quando recém-nascido, foram dolorosos, e volta e meia esse sentimento o assalta. Esse é o foco do filme Road to Ninja: os sentimentos de um personagem órfão, e embora seja um lugar-comum de muitas histórias, quando bem desenvolvidos, tornam-se admiráveis. 

O enredo do filme se aproveita do vilão principal da série, Tobi, e de uma versão limitada de seu genjutsu que irá engolfar o mundo num período de paz eterna, o projeto Olho da Lua. Essa versão limitada usa os desejos mais profundos de uma pessoa, no caso, os de Naruto, que, flagelado pelos momentos de solidão, são a presença de seus pais. No entanto, esse desejo foi conjugado junto aos de Sakura, que encontrava-se num período de "mal-criação adolescente" em relação aos pais. A versão limitada do Olho da Lua os atingiu, e Naruto e Sakura foram jogados numa realidade alternativa que funciona como um espelho da nossa, mais especificamente, uma inversão de fatos históricos e personalidades nos personagens. Como resultado, Naruto e Sakura encontram versões "estranhas" de seus companheiros: uma Hinata sexy e agressiva, um Kiba briguento com seu cachorro, um Shino odiador de insetos, um Rock Lee pervertido, um Shikamaru burro, um Gai preguiçoso e carente de sua "força de juventude", Chouji sério e magro, e, por incrível que pareça, um Sasuke com pinta de playboy e paquerador das garotas da vila (a inserção do Sasuke neste filme foi irrelevante, útil apenas para as fangirls se derreterem com uma versão de seu personagem que jamais virá a acontecer - ou não). Além disso, ao invés da figura de Minato talhado na pedra como o Quarto Hokage, é a figura de Kisahi, o pai da Sakura, que está lá. Fora ele quem salvara a vila da Raposa de Nove Caudas e não o Minato. Consequentemente, tanto Minato quanto Kushina estão vivos, e assim Naruto, que neste mundo recebe o nome de Menma (por odiar um ingrediente de ramen com esse nome), reencontra seus pais (ele já os encontrara na trama principal da série em imagens projetadas dentro de seu subconsciente). 

Esse encontro entre pais e filho é a parte mais interessante e emocionante do filme, pois vemos como um garoto órfão se sente ao usufruir de uma vida que ele sempre sonhou. É a interseção dos desejos dos três personagens que nunca se realizaria. Na obra original, antes de Minato e Kushina selarem a raposa de Nove Caudas no filho e se sacrificarem por ele, a mãe diz suas últimas palavras ao Naruto, do que ela quer para a vida dele e de como a vida deles poderia ser diferente do trágico fim que os esperava. E quando o Naruto cresce, ele também devaneia como seria uma vida ao lado dos pais. E a confluência desses desejos está nessa realidade alternativa criada por Tobi.

Porém, como o próprio vilão explica, Naruto e Sakura são como duas pedras jogadas num lago de água parada, elas geram ondas, distúrbios nesse mundo que é o espelho da realidade. Por essa razão, a Sakura dessa realidade acaba desaparecendo (ou parando na realidade original dos personagens, como mostra um episódio do anime, embora haja um erro de roteiro nessa história), e o Menma (o Naruto da outra realidade) acaba se transformando numa versão maligna do próprio Naruto, apesar dele não ter sido muito explorado nesse sentido. Dentre outras mudanças interessantes, é a presença da Akatsuki atuando como um grupo de mercenários sem pretensões ocultas (ou assim aparenta), e todos os nove estão vivos, incluindo Itachi, o que dá a entender que não houve o massacre do Clã Uchiha, e por isso o Sasuke anda amigável pra lá e pra cá. Obviamente, se levarmos em consideração todos os eventos da série principal, a realidade alternativa do Tobi fica insustentável, já que para um fato "A" ter existido, seria necessário um fato "B", que por sua vez requereria um fato "C", e assim por diante. Portanto, a lógica dessa dimensão é basicamente um inverso da realidade, desconsiderando sua história própria. 

Naruto: Road to Ninja foi o filme de maior bilheteria da série e provavelmente o melhor já produzido.
  

6 comentários

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Cara, eu quero MUITO assistir esse filme *o*. Minato e Kushina vão estar nele, precisa de mais algum outro motivo para eu querer assistí-lo?

Balas
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Tá esperando o que pra assistir?! xD Minato e Kushina formam um casal fofo e cativante. Mas sou mais fã da Kushina.

Balas
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Oi Luiz!
Nunca vi nenhum filme de Naruto, mas esse me pareceu bem interessante, por conter os pais dele. Vou tentar ver.
Opa muito obrigada pela indicação do meu blog *.*
E valeu por ter curtido a sessão cosplay!
Valeu mesmo!
bjs

Balas
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Oi, Tsu.
Esse filme tem um dedo do próprio Kishi, então a qualidade no roteiro é visível, sem levar em conta a presença dos pais do Naruto que são personagens bem carismáticos, apesar de não terem aparecido muito na série.
Não há de que pela indicação. ^^ E gosto de ver um pouco os cosplays.
Bjs.

Balas
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Cara eu queria saber pra quantos anos é recomendado esse filme se puder responder obrigada

Balas
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Rafaela, creio que vale para qualquer idade. É um anime shonen, não tem nada de pesado além das cenas de luta comuns em histórias do tipo.

Balas