Resenhas, artigos e contos

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[Resenha - anime/mangá] Monster

Após longo tempo desde o início deste blog, finalmente começarei a despertar meu lado otaku (ainda ficarei devendo o gamer, rsrs) nas postagens. O nome dessa coluna foi modificado de "análise" para "resenha", pois o primeiro termo remete a uma crítica mais aprofundada, o que não é o caso do texto (parcialmente embasado numa postagem de meu blog passado) que postarei sobre o anime em questão. No entanto, a coluna "análise", em breve, será escrita para estudar outro anime (o layoult de apresentação do blog dá a dica). 
Nesta resenha, apresentarei um excelente anime/mangá de suspense policial: Monster.


Obra de Naoki Urasawa's, também autor do aclamado mangá 20th Century BoysMonster foi publicado no Japão entre 1994 e 2001 pela revista Big Comic Original e ganhou uma adaptação em anime com 74 episódios exibidos em 2004 e 2005 na NTV. Trata-se de um thriller policial passado na Alemanha, protagonizado por um médico fugitivo (Dr.Tenma) e um misterioso homem (Johan) ligado a várias organizações políticas, além de envolto por segredos nazistas. O mangá chegou a ser publicado em terras brazucas pela editora Conrad, mas tomou o caminho do cancelamento. Só que para felicidade dos fãs — e me incluo, ou pelo menos chego perto —, Monster está sendo relançado pela Panini desde o segundo semestre de 2012. É apenas questão de tempo para que os leitores tenham os 18 volumes dessa belíssima obra em suas estantes. 





É complicado escrever sem antes narrar o começo da história, a primeira parte que é o pontapé inicial para o desenvolvimento da trama. Embora contenha spoilers iniciais, serei sucinto no resumo. 


Dr. Tenma é um habilidoso neurocirurgião que trabalha no Hospital Memorial Eisler, em Dussedolf, bastante respeitado pelos colegas de trabalho e, principalmente, pelo diretor, que vê o médico como alguém imprescindível para continuar gozando da boa reputação do Hospital, pois é adquirida devido às excelentes cirurgias de Tenma. Seu bom status profissional também fez com que ele namorasse a filha do diretor, Eva Heinemann, sendo esta relação mais uma base que fortifica seu futuro promissor.


O Memorial Eisler recebe muitos pacientes políticos para cirurgias, obviamente realizadas pelo Dr. Tenma, embora os créditos sempre fiquem com a figura do diretor. No entanto, obedecendo a ordem de chegada dos pacientes, Tenma, movido muito mais pela sua ética que por resoluções superiores, decide operar um menino baleado na cabeça em vez de um político, e essa decisão cria uma reviravolta em sua vida. A criança sobrevive e o político morre. O diretor reprova a ação do médico e o rebaixa, afirmando que ele nunca mais poderia avançar na carreira, e Eva, tão interesseira quanto o pai, rompe o namoro. Tenma, que saíra do Japão para trabalhar neste renomado Hospital e prosseguir com suas pesquisas médicas, vê seu futuro destruído, já que trabalharia como um simples médico pela vida inteira, sem chance de aspirar um cargo maior, e destinado a ter uma má visibilidade no ramo pelo poder de influência do diretor.

Contudo, outro evento cria uma segunda reviravolta na vida de Tenma. O menino que ele operou tinha uma irmã gêmea, e ambos começam a ganhar fama no Hospital por serem sobreviventes de um brutal assassinato na cidade. Certa noite, eles desaparecem misteriosamente, e paralelamente a esse acontecimento, alguns médicos imorais e interesseiros e o diretor do Hospital morrem envenenados. Sob uma nova diretoria, e considerando a grande empatia dos pacientes e da maioria dos funcionários, Tenma é elevado ao cargo de chefe de cirurgia. Essa subida repentina em sua carreira, aliada à morte do diretor, desperta a suspeita de um investigador da BKA (Lunge), que, eventualmente perseguirá Tenma achando ser ele o causador das mortes.
Nove anos após esse incidente, uma onda de assassinatos em série percorre a Alemanha, e um suspeito desse caso chega ao Hospital para ser operado, e, quando perguntado por Tenma a respeito de seu envolvimento nos assassinatos, repete a palavra "monstro" sem explicar a razão. Numa determinada noite, o paciente, amedrontado por alguma coisa, foge do Hospital e o médico o segue. Chegam a um edifício em obra, e lá, Tenma reencontra o menino que salvou há muito tempo, agora um jovem homem chamado Johan, que mata o paciente a tiros. Johan desaparece… 
A partir de então, Tenma, envolvido no caso, começa a despertar suspeitas, principalmente de Lunge. Após uma série de acontecimentos que envolvem a irmã gêmea de Johan, que Tenma procurou pela Alemanha e a descobriu como uma estudante universitária, o médico acaba sendo visto como responsável tanto pelas mortes do Hospital anos atrás quanto pelos delitos recentes. Então começa a fuga de Tenma e sua perseguição por Johan, um homem que parece estar ligado a vários homens importantes. 
Agora que temos um panorama melhor da história, vamos a algumas considerações. 

O próprio título da série aponta um elemento sobrenatural, um monstro, mas claro, num sentido figurativo. Mas o sobrenatural em Monster é simplesmente o mistério envolvendo determinados acontecimentos, por exemplo, a maneira como algumas pessoas são assassinadas, considerando os assassinatos cometidos por Johan, que é um indivíduo misterioso em seus atos e objetivos e ao mesmo tempo influente em diversas organizações. Não há como imaginar racionalmente determinados momentos em que Johan está presente, pois ele realmente parece carregar uma aura sobrenatural e a utiliza em suas ações. No anime, sua voz é serena; seu rosto, belo; suas palavras, persuasivas; enfim, uma máscara perfeita para esconder o monstro que habita dentro dele. E, considerando o trecho bíblico mostrado na introdução da série (versículos 1 a 4 do capítulo 13 do Apocalipse), espera-se que Johan seja um anti-cristo e que brevemente ocorra um apocalipse no mundo. Ele é um antagonista impressionante e perfeitamente capaz de sustentar uma boa narrativa por um longo tempo. 
Tão carismático quanto Johan é o protagonista da série, o Dr. Tenma, um brilhante médico que acaba virando um fugitivo da polícia e perseguidor de Johan. Dificilmente o leitor ou espectador não simpatizará com um indivíduo tão ético e moral, mas que ao mesmo tempo cede ao seu lado obscuro quando está em sua implacável procura por Johan. Na verdade, durante sua busca, ele conhece vários personagens que passam a "conviver" com Tenma, mas não necessariamente em ajudá-lo a matar Johan. Aliás, o clímax de toda a série é se Tenma será ou não capaz de matá-lo. Como médico, alguém que apenas salvou vidas, será capaz de tirá-la de alguém?
 
O contexto político em que se desenrola toda essa busca entre o médico fugitivo e o assassino é interessante. No decorrer da história surgem pessoas importantes ligadas ao passado político da Alemanha, até mesmo à época nazista. Temos desde a descoberta de um orfanato para órfãos serem treinados para serem pessoas frias (o qual Johan participou) até um grupo neonazista que quer transformar Johan num segundo Hitler. Essa imersão histórica é certamente o que faz a diferença na história; não é uma mera perseguição entre fugitivo e verdadeiro assassino, é uma história que vai lentamente adentrando em mistérios ligados a fatos ocorridos em grupos politicamente importantes no cenário alemão. 
É raro encontrar um mangá/anime passado num outro país senão o próprio Japão. Naoki tentou diferenciar a fisionomia dos personagens para torná-los "não-japoneses". De certa forma, funcionou, mas em vários momentos da série, o personagem fulano era igualzinho a sicrano. Pelo menos, os cenários, embora eu não tenha comparado a fundo a paisagem rural e urbana da Alemanha com os lugares mostrados no mangá/anime, parecem ser plausíveis. Aliás, os quadros de paisagem no mangá, quando não há personagens neles, são muito vistosos.


O anime tem uma excelente trilha sonora, a começar pela música de abertura que traduz perfeitamente o clima da história (embora se torne maçante ouvi-la durante 74 episódios). Já os encerramentos contam uma história do livro infantil que será explorado lá para o meio da série. E as músicas tocadas durante as cenas conseguem casar perfeitamente com a atmosfera da trama.

Eu recomendo tanto o mangá quanto o anime para aqueles que curtem uma narrativa de suspense permeada com um elemento sobrenatural que não se sabe exatamente o que é e nem mesmo se é, de fato, sobrenatural, e também para os leitores que não possuem o hábito ou ainda não se interessaram por mangá ou anime.

2 comentários

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Excelente artigo! Aacabei de conhecer seu blog e já estou seguindo!
Sou super fã de Monster, obra que, quando conheci, se tornou uma das minhas preferidas (senão a mais) em termo de anime/mangá.
Urasawa foi um gênio que criou o ariano perfeito. Johan é fascinante, impossível de ser analisado psicologicamente com clareza e o único personagem da série que encontramos dificuldades em compreender os pensamentos.Veja bem, todos os outros somos capazes de pensar como eles (até mesmo Lunge) porém no caso de Johan é muito mais dificil. Até porque Urasawa omitiu propositalmente fatos importantes acerca do passado de Johan e Anna...o que realmente aconteceu no tempo em que os irmãos ficaram juntos, o que realmente Johan passou no orfanato,como foi sua vida nos anos de seu crescimento e o mais importante: como eram os dias que os gêmeos passavam com a mãe? Afinal, talvez o verdadeiro monstro só tenha sido explicado no último capítulo =).
Sou tão fã de Monster que eu e uma amiga chegamos a fazer cosplay dos personagens: ela de Dr. Tenma e eu de Johan Liebert.
Aqui tem uma foto caso você queira ver:
http://1.bp.blogspot.com/-d0vGiyOg4Fc/UH8AMHbhnyI/AAAAAAAAHm0/lSX_MfLxzXk/s1600/tenmajohancosplay.jpg
Gostaria de saber se toparia parceria e trocar idéias contigo!
abs

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Olá, Tsu!
Primeiramente, obrigado pelo seu "entusiasmado" comentário. =)
Muito legal saber que é fã de Monster, tanto que você e sua amiga fizeram cosplay dos personagens principais do mangá (gostei da foto). É realmente incrível como o mangaká conseguiu criar um protagonista carismático e um vilão mais ainda. Eu gosto do Tenma, mas quando Johan aparece é nele que todos se concentram, pois o personagem é simplesmente assombroso e enigmático. Você tem toda razão quanto a impossibilidade de entendê-lo. No desenvolvimento da trama a gente fica sabendo mais sobre ele, mas ao mesmo tempo nada, e ficamos perdidos sem entender que diabos aconteceu com ele no passado. Mas é uma pena que eu não me recorde tão bem assim da segunda metade da história (eu terminei de ver o anime faz alguns anos, e o mangá finalmente está sendo relançado). De qualquer forma, não tem como esquecer Johan e suas "façanhas" impressionantes, eu pirava em muitas delas, rsrs.
Seu blog é o Empadinha Frita, né? Eu já o visitara antes (lembro pela cara do Kenshin, hihi), Tenho quase certeza que foi por uma postagem do Laranja Mecânica, na época em que estava querendo saber mais sobre o livro e o filme. Enfim, que bom que redescobri seu blog XD
Sim, aceito a parceria, e vamos nos falando...
Abraços.

Balas