Resenhas, artigos e contos

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[Resenha] Filhos de Galagah, de Leandro Reis

Resenha publicada no blog Luizdreamhope em 21/09/2010

Editora: Idea
Nº de páginas: 344
Ano de publicação: 2008
Skoob
Onde comprar?
Saraiva 


SINOPSE


Filhos de Galagah traz a você, personagens inesquecíveis que irão te acompanhar neste mundo de glórias e tragédias. Heróis nobres e companheiros de passado sombrio, que põe em prática o treinamento de uma vida.


Galatea é uma heroína de ideais nobres, filha do rei e Campeã Sagrada de sua religião, que parte para uma busca ordenada por seus sacerdotes, dragões. Iallanara é uma bruxa rejeitada pela sociedade, uma assassina fria presa a um ser cruel e misterioso. Ela se juntará à Campeã Sagrada para proteger-se e tentar buscar sua liberdade, criando um relacionamento de mentiras e desconfianças. Por último, Gawyn um elfo criado por humanos, e Sephiros, um elfo forjado para a batalha, serão convidados a proteger estas mulheres, entrando em um relacionamento mais intrigante que qualquer aventura.


A jornada os levará a lendária Lemurian, a cidadela invertida, onde o destino decidirá o sucesso ou fracasso na busca do que procura: A Primeira Runa.”

Acredito que a maioria daqueles que curtem o gênero fantástico medieval produzido no Brasil conhecem a série Legado Goldshine, o universo de Grimelken, criado pelo autor Leandro Reis, também conhecido como Radrak. É uma obra presente no cenário nacional, e confesso que, por diversas vezes, esbarrei com ela em blogs e sites da internet, até que chegou ao ponto que não agüentei a tentação e adquiri o livro.

Mas tenho que confessar, e também ressaltar, um aspecto positivo do livro, que é trazer com ele algo que vem crescendo no mercado literário: uma forma de divulgação audiovisual chamada de booktrailer. É semelhante ao trailer de um filme, só que sendo para um livro, que pode ser de diversas maneiras dependendo da criatividade do autor. O booktrailer de Filhos de Galagah me agradou bastante, até porque foi o primeiro trailer de um livro nacional que apreciei, logo, contou um pouco aquele “ohhhh, incrível”. Mas se vocês ainda não o viram, podem conferi-lo abaixo.
Retomando o livro físico, a capa é bem produzida, cheia de camadas que me deixaram com o constante desejo de tateá-la.

Nas primeiras páginas. a história é um pouco presa, centrada numa única região da trama, não dando dicas sobre como se desenrolaria o enredo. Ela só começa a caminhar após o seqüestro do príncipe Thomas, e ganha ainda mais força quando Galatea parte em sua missão sagrada atrás das três runas - ingenuidade minha ao pensar que veria as três neste livro).

Durante a leitura, nota-se muitos aspectos provindos do RPG, algo natural, pois se não me engano, esta série nasceu de um jogo de role playing game. Disfarçar-se numa caravana circense para entrar em uma cidade; partir numa jornada em busca de um símbolo sagrado; personagens inseridos na jornada para ajudar os heróis e logo depois desaparecerem(Aloudos); encontro de personagens secundários com a protagonista, e que depois de algum acontecimento, acabam aderindo à missão da personagem... bem RPG, não? Por isso, um aspecto do livro de meu desagrado foi o encontro dos personagens e o desenrolar para a aceitação pouco natural de cada uma na empreitada da heroína. Ficou meio forçado, como se ninguém ali tivesse motivos mais importantes que refutassem uma ajuda à princesa. Até mesmo a união do grupo não graduou, ficou estática o livro inteiro, como se já se conhecessem. E aproveitando a questão dos personagens, devo dizer que apenas dois me encantaram de forma que não precisasse fazer muito esforço: Iallanara e Gawyn.

A Bruxa Vermelha é o enigma dentro do grupo, atormentada por muitas questões do passado, ainda perdida em sua própria personalidade. Incerta de qual caminho escolhia, foi a que mais fez meus olhos se atentarem para cada ação que ela tomaria na trama. Além disto, se não fosse por ela, Galatea seria uma peça apagada. Aproveitando para destruir a protagonista, não senti muita coisa dela, não. Desprovida de pessoalidade, tudo é para o Deus Radrak, e apenas pensa na missão das Runas e na criança que precisa achar. Uma simples princesa mimada, religiosa, e de bom coração, é uma chama apagada sem a presença de Ialanara para fazê-la acender e bruxulear. Quanto ao Gawyn, ele é aquele típico personagem de alívio cômico na trama. Possui um passado que foi pouco explorado no texto, mas é um personagem bastante divertido capaz de nos dar algumas risadas.

Algo interessante é a utilização dos deuses na história, capazes de controlar os ideais de alguns personagens, como Galatea. Grinmelken parece ser recheada de tramas envolvendo religiões distintas, dando um tempero ainda melhor à história.

Há também boas cenas de luta. As magias ficam por conta de Iallanara e Sephiros; a batalha corpo a corpo com o espadachim Gawyn (possui uma habilidade apelativa de segurar flechas); e Galatea usando o escudo e a espada para arrasar os inimigos com sua força bruta. Pelo menos possui uma habilidade de cura. Em jogo de RPG,  Galatea usaria Heal, rs.

Algo que gostei bastante foi o local escolhido para a trama se desenrolar: Lemurian, a cidade invertida, é com certeza um lugar atípico, e ainda esconde muitos segredos que serão revelados em algum livro posterior.

De modo geral, o livro seguiu muito bem com seu desenvolvimento. Eu só lamento do autor não ter mostrado as partes soltas que a história deixou, e não são poucas, que vai desde o passado dos personagens até tramas paralelas. Por exemplo, o que houve com Thomas? Qual é a razão do amigo imaginário de Ialanara, Noite? E muitas outras questões. O Leandro até comentou isso nas suas notas finais do livro, mas achei que antes do final da história, ele podia ter soltado uma ou mais cenas que dessem um ar "cliffhanger" à trama, já uma preparação para o próximo volume.

Felizmente, Grimelken é um mundo cheio de histórias incríveis, e no site www.grimelken.com.br podemos encontrar contos e curiosidades sobre este universo. É um material que complementa a história e nos traz ainda mais para o universo do autor.

2 comentários

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Legal a resenha, Luiz.

Este ano, com certeza terei o prazer em obter essa obra, pois acho que esta fantasia não deve ser ignorada.

Balas
Autor
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É um dos primeiros títulos que me vem à cabeça quandos se trata de fantasia medieval escrita por um autor nacional. Eu li a trilogia e gostei.

Balas